ABIC lança Projeto Nano para apoiar nanos e microtorrefações

ABIC lança Projeto Nano para apoiar nanos e microtorrefações

Serão 50 vagas para incubação em parceria com o Instituto Federal do Sul de Minas, com inscrições até 30 de maio

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A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) lança o Projeto Nano, uma iniciativa voltada ao fortalecimento técnico, organizacional e institucional dos pequenos empreendimentos – nanos (até 5 scs/mês) e micros (6 a 50 scs/mês) – que torram café no país.

A iniciativa nasce a partir da observação por parte da ABIC do movimento que vem se consolidando no mercado.

“O crescimento das nanos e microtorrefações, responsáveis por operarem em pequena escala, próximas ao consumidor e com forte presença regional é uma realidade. Hoje, esse segmento já representa cerca de 30% das empresas associadas à ABIC, além de um contingente significativo de negócios ainda fora do ambiente institucional. O papel da Associação é dar suporte aos empreendedores, pois temos um compromisso firme com o mercado e com a qualidade do café”, afirma Celírio Inácio, diretor executivo da ABIC.

Projeto Nano oferece 50 vagas

O Projeto Nano possui três grandes frentes de atuação: Grupo Técnico (GT), estruturado para ser um espaço de escuta e construção coletiva com representantes de diferentes regiões do país e perfis do setor. Ele tem caráter técnico-consultivo e reúne, aproximadamente, 30 torrefadores e torrefadoras. O objetivo de mapear desafios reais, compartilhar experiências e contribuir com recomendações aplicáveis ao dia a dia das empresas.

A segunda frente é a Jornada da Torrefação Empreendedora (Incubadora), um programa de capacitação desenvolvido em parceria com o Instituto Federal do Sul de Minas, voltado tanto aos empreendedores quanto para empresas já existentes que buscam se estruturar.

A incubadora terá duração de seis meses e oferecerá uma capacitação completa por meio de uma trilha de conhecimento com temas como torra e qualidade do café, legislação e adequação técnica, gestão e estruturação do negócio, boas práticas operacionais, registro de marcas e certificação e sustentabilidade e economia circular.

Serão disponibilizadas 50 vagas por ciclo, divididas entre novos e negócios já formalizados. As inscrições devem ser feitas por meio do link (clique aqui).

“O processo de incubação vai muito além do suporte administrativo, ele oferece às nano e micro indústrias as ferramentas necessárias para entender os processos regulatórios e padrões de qualidade que antes pareciam inacessíveis ou no mínimo confusos. Nossa missão é garantir que esses empreendedores entrem no mercado não apenas como entusiastas, mas como indústrias competitivas, seguras e certificadas”, comenta Leandro Carlos Paiva, Professor Titular de Cafeicultura do IFSULDEMINAS.

Já a terceira atuação é focada na Inteligência de Mercado, quando será realizado um levantamento estruturado para geração de dados confiáveis sobre o segmento, com o propósito de reduzir incertezas, orientar decisões e apoiar a construção de estratégias mais consistentes ao setor.

Desafios comuns: legislação, adequação técnica e gestão

Ao mesmo tempo em que se firmam, esses empreendimentos enfrentam desafios comuns relacionados à legislação, adequação técnica, gestão e estruturação do negócio. Parte considerável dessa fatia de mercado, até agora, opera com baixo nível de formalização e acesso limitado a informações organizadas e aplicáveis à sua realidade.

“O crescimento das nano e microtorrefações é um movimento real, consistente e com grande potencial. Portanto, identificamos que esse avanço precisa ser acompanhado de conhecimento, orientação técnica e regulatória e caminhos claros de profissionalização”, afirma Rebecca Nogueira, coordenadora técnica geral do projeto.

Compreender, mapear, organizar e apoiar o desenvolvimento desse segmento, contribuindo para um crescimento mais estruturado, responsável e economicamente sustentável é o objetivo da ABIC. Apesar de não ter um papel regulador, a associação possui a missão de apoiar o setor, facilitar o entendimento das regras existentes e contribuir a fim de que os negócios operem com mais segurança, qualidade e sustentabilidade.

Segmento representa 30% dos associados da ABIC

As torrefações com esse perfil representam 30% dos associados da ABIC. Por isso, a entidade compreende que as nanos e microtorrefações desempenham um papel relevante na cadeia do café, ao aproximar produtores e consumidores, valorizar origens e ampliar a diversidade de produtos no mercado. Nesse sentido, é de extrema relevância preencher as lacunas existentes nesse nicho.

“O objetivo é apoiar uma entrada responsável no setor e contribuir para que os empreendimentos existentes se desenvolvam de forma sustentável, em conformidade com as normas e com maior segurança operacional”, afirma Celírio Inácio.

A ABIC deseja fomentar maior profissionalização do segmento, reduzir informalidade, melhorar a qualidade dos produtos, aumentar a segurança jurídica e sanitária, fortalecendo o setor como um todo.

Fortalecimento para o setor

O crescimento das nano e microtorrefações reflete a diversificação do mercado de café e a busca por produtos cada vez mais conectados à qualidade e à origem. Continue acompanhando o Hub do Café para conferir iniciativas, tendências e oportunidades que impactam os diferentes elos da cadeia cafeeira.