Manejo do mato
Feita da forma correta, técnica garante boa produtividade da lavoura de café; aprenda como fazer e quais produtos usar
Assim como nas lavouras em formação, o manejo do mato nas lavouras adultas é um dos fatores mais limitantes para a produtividade do café. Mesmo uma lavoura bem adubada, e com o manejo de pragas e doenças bem feito, se não tiver o manejo de mato correto, não terá uma boa produtividade. Pois o mato vai competir com a lavoura por água, nutrientes e, em alguns casos, encobrir as plantas, impedindo a exposição das folhas à luz do sol, prejudicando a fotossíntese e, também, a colheita. Por isso, é uma operação que merece uma grande atenção do cafeicultor devido ao grande prejuízo que pode causar.
Existem diversas formas de manejar o mato. No passado, a capina manual e a gradagem eram os métodos mais aplicados. Atualmente, o uso de herbicidas, roçadeira e trinchas são os mais utilizados por serem mais viáveis economicamente.
A capina manual, apesar de pouco utilizada em lavouras adultas, ainda é importante no “retoque” nas falhas da lavoura, nas pontas de ruas e nas falhas de aplicação de herbicidas. Para uso em toda a lavoura, não é utilizada devido à maior demanda de mão de obra e maior custo.
A gradagem, apesar de ser uma operação de menor custo, só é possível ser utilizada em áreas mecanizadas. Além disso, pode prejudicar as raízes superficiais do cafeeiro, desestruturar o solo e facilitar a ocorrência de erosão. Por estes motivos é pouco utilizada.
Manejo do mato
Em 1974, começou a ser comercializado o herbicida glifosato através da marca comercial Roundup, que revolucionou o manejo de mato na agricultura. E que, alguns anos depois, passou a ser o herbicida mais conhecido e mais utilizado na cafeicultura. Com isso, o manejo do mato passou a ser feito principalmente por meio do uso deste herbicida.
O uso frequente do glifosato provocou o desenvolvimento de resistência à molécula por algumas espécies de plantas, como capim amargoso, corda de viola, trapoeraba e buva, que já não morrem com a aplicação do herbicida, tornando necessário acrescentar outros herbicidas específicos para estas plantas.
Depois do glifosato, surgiram também outros herbicidas que também eram utilizados na cafeicultura, como alguns herbicidas de contato e alguns pré-emergentes.
Roçada
Com o surgimento e a popularização das roçadeiras, principalmente as manuais à gasolina, a roçada também passou a ser um método muito utilizado na cafeicultura. E, mais recentemente, o uso das trinchas, que fazem um trabalho semelhante ao da roçadeira. Porém têm a característica de serem mais agressivas, sendo usadas em alguns momentos até para nivelar o solo, para triturar galhos mais grossos depois de podas da lavoura.
Para um manejo mais sustentável do mato, a melhor estratégia é integrar vários métodos, de modo que cada um tenha um custo adequado, que a lavoura não sofra com a mato-competição e, também, que o solo não fique descoberto, principalmente no período das chuvas.
O solo descoberto fica mais sujeito à ocorrência de erosão, pois as plantas protegem o solo da chuva e as raízes servem como canais de infiltração de água. Além disso, o mato serve de refúgio para macro e microrganismos benéficos para ambiente produtivo.
Recomendação
Uma boa recomendação para lavouras em produção pode ser a seguinte: no início das chuvas em setembro/outubro, antes das primeiras plantas começarem a germinar, quando o solo ainda está livre de plantas, deve ser aplicado um herbicida pré-emergente.
Atualmente existem várias alternativas disponíveis, como indaziflan, flumioxazina + piroxasulfona, sulfentrazona, s-metolacloro, entre outras.
Caso o mato já tenha germinado, é necessário aplicar o glifosato para matar as plantas já germinadas. Se tiver plantas resistentes na área, como capim amargoso, deve ser acrescentado na calda um graminicida específico. Normalmente, o mais utilizado é a base de cletodim e haloxifope-P-metílico.
Caso a área tenha corda de viola, trapoeraba ou buva, deve ser acrescentado algum herbicida específico que mate estas plantas de filha larga, conhecido como latifolicida. Os mais comuns são à base de flumioxazina, carfentrazona-etílica, metsulfurom-metílico, clorimuron, entre outros. Estes herbicidas específicos têm melhor eficiência se for adicionado óleo mineral na calda. Depois que o mato morrer, deve ser aplicado o herbicida pré-emergente.
Efeito prolongado
A vantagem deste tipo de herbicida é que ele tem um efeito prolongado, podendo impedir a germinação por até seis meses em alguns casos. E, com isso, o operacional nas fazendas melhora muito, pois a lavoura está sempre com a linha livre de mato e a mão de obra da propriedade fica mais disponível para outras atividades.
O herbicida pré-emergente deve ser utilizado somente na trilha do café, em torno de 1 metro para cada lado da linha do cafeeiro. Então, sobra a entrelinha do cafeeiro, conhecida como meio da rua, normalmente em torno de um metro de largura. Nesta faixa, o mato continua crescendo normalmente.
Assim como nas lavouras em formação, a entrelinha das lavouras adultas também não pode ficar com o solo descoberto. Na entrelinha, o manejo do mato deve ser feito com roçadeira, de preferência com a roçadeira ecológica que corta as plantas em partes maiores e lança o material cortado para debaixo do cafeeiro. As partes maiores levam mais tempo para se decompor e, por isso, faz o efeito de cobertura do solo por mais tempo.
Uma vez por ano, em abril/maio, pode ser aplicado o glifosato na entrelinha e, se necessário, associado a herbicidas específicos para as plantas resistentes conforme descrito acima.
Registro
Importante: Sempre que for usar algum herbicida, este deve ter registro para uso em café e deve ser respeitado o intervalo de segurança entre a aplicação e a colheita, para evitar o risco de resíduos nos grãos.
Além disso, deve-se sempre aplicar corretamente com equipamentos calibrados para evitar a dosagem maior ou menor que a necessária e para evitar a deriva, pois a maioria dos herbicidas pode causar fitotoxidez e prejudicar o desenvolvimento do cafeeiro, além do resíduo nos grãos.
Entrelinha
Outra opção para manejo da entrelinha é usar este espaço para cultivar alguma planta que dê retorno comercial, como feijão, milho, soja, entre outras, principalmente nos anos de poda da lavoura, garantindo uma renda extra no período de renovação do café.
No caso do plantio de milho, deve-se evitar o plantio em todas as ruas, pois no pendoamento o pólen do milho pode prejudicar o cafeeiro. Recomenda-se o plantio do milho em ruas alternadas. Ao usar a entrelinha para cultivo de outra cultura, deve-se optar por herbicidas que não causem problemas no desenvolvimento da cultura e do cafeeiro.
Outra alternativa para cuidar da entrelinha é o plantio das plantas de cobertura. Elas podem ser plantadas individualmente ou misturadas, conhecidas como mix de plantas de cobertura. Individualmente, a espécie mais utilizada é a Brachiaria ruziziensis que tem boa rusticidade, boa produção de biomassa e é facilmente manejada com glifosato. Outras espécies também podem ser utilizadas individualmente, porém o mais comum tem sido o plantio do mix.
As espécies mais utilizadas no mix, além da Brachiaria ruziziensis, são Crotalárias, Feijão-Guandu, Trigo Mourisco, Milheto, Nabo Forrageiro, Ervilhaca, Aveias, entre outras. Cada uma com seus benefícios.
Por exemplo: fixação de nitrogênio, controle de nematoides, quebra-vento, ciclagem de nutrientes, descompactação, aumento da matéria orgânica, refúgio para inimigos naturais de pragas, melhoria da biodiversidade, aumento dos micro-organismos benéficos e proteção do solo. Além destes benefícios, as plantas de cobertura têm papel importante na supressão de plantas daninhas.