Cooxupé leva ao AgroCoop Summit debate sobre desafios estruturais da cafeicultura
Encontro em Brasília destaca o papel do cooperativismo e aborda temas como legislação trabalhista, logística, mercado e juros no cenário atual do café
A Cooxupé participou, no dia 5 de maio, em Brasília (DF), da primeira edição do AgroCoop Summit, promovido pelo Sicoob com apoio do Sistema OCB. No evento, levou ao debate os principais desafios estruturais da cafeicultura brasileira e suas perspectivas para o futuro. Representada por seu presidente Carlos Augusto Rodrigues de Melo e pelo superintendente de Finanças, a cooperativa participou de um painel ao lado de lideranças do setor e destacou a importância da intercooperação e da construção de políticas públicas alinhadas à realidade do campo.
O encontro reuniu autoridades do governo federal, entidades do agronegócio e representantes de cooperativas de todo o país, estabelecendo-se como um espaço estratégico para discussão da política agrícola e fortalecimento institucional do cooperativismo.
Durante a programação, o presidente da Cooxupé, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, discursou para o público e traçou um panorama do atual cenário da cooperativa e do setor cafeeiro. Ele destacou a trajetória construída ao longo de 94 anos. “São mais de nove décadas de uma história baseada em trabalho, confiança e união de mais de 21 mil famílias cooperadas, que transformaram a Cooxupé em referência na cafeicultura brasileira e reconhecida mundialmente pela credibilidade na comercialização de cafés arábica de qualidade”, assegurou.
Desafios estruturais da cafeicultura em pauta
Ao abordar os desafios estruturais do setor, Carlos Augusto chamou atenção para a necessidade de avanços na legislação trabalhista, com foco na segurança jurídica e na adequação às transformações tecnológicas da atividade rural. “Buscamos uma legislação mais alinhada à realidade produtiva da cafeicultura moderna, que traga equilíbrio para produtores e trabalhadores”, pontuou.
Outro ponto de destaque do discurso foi o impacto da logística e do cenário geopolítico no mercado cafeeiro. Segundo o presidente, a instabilidade internacional pode afetar destinos importantes de exportação, além de exigir atenção quanto ao fornecimento de insumos. “O Oriente Médio vinha em crescimento como mercado consumidor, mas o cenário atual pode trazer desaceleração. Ao mesmo tempo, precisamos acompanhar de perto a questão dos fertilizantes, que impacta diretamente a produção”, explicou. Já no eixo safra e mercado, ele ressaltou o momento de cautela nas negociações. “Estamos na expectativa da nova safra, que deve trazer mais clareza ao mercado. Por ora, os negócios seguem mais lentos, com compradores adotando postura estratégica diante de um ambiente ainda instável”, detalhou.
Ao final de sua análise, o presidente da Cooxupé abordou o impacto dos juros altos sobre o setor agrícola. “Mesmo com sinais de queda, ainda enfrentamos taxas elevadas, que são, na prática, punitivas para a agricultura. Os Planos Safra recentes não têm sido suficientes para resolver essa questão”, afirmou.
Apesar dos desafios, ele reforçou a confiança no modelo cooperativista. “Seguimos esperançosos e confiantes na força do trabalho coletivo para superar obstáculos e construir novas oportunidades”, concluiu.
Já o superintendente de Finanças e Desenvolvimento da Cooxupé, Maurício Ribeiro do Valle, esteve no painel “Vozes do Cooperativismo Agropecuário: Crédito em Foco”, com outros representantes da área. O debate abordou o papel do crédito rural na sustentação da produção no campo, os desafios de acesso a recursos e a importância de mecanismos financeiros adequados à realidade rural.

Integração entre cooperativas
O AgroCoop Summit também contou com a participação de importantes lideranças do cooperativismo nacional. Na abertura, o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, destacou o papel estratégico da integração entre as associações do setor. “O cooperativismo tem demonstrado sua capacidade de responder a desafios complexos. Quando atuamos de forma integrada, ampliamos oportunidades e fortalecemos o produtor rural”, acrescentou.
Além disso, a presidente executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, esclareceu sobre a relevância de discutir crédito rural sob a ótica cooperativista. “Estamos falando de desenvolvimento sustentável, segurança alimentar e justiça financeira. A atuação coordenada entre cooperativas e governo é fundamental para resultados mais eficientes e inclusivos”, finalizou.