El Niño pode tornar gestão decisiva para a safra 2026/27

El Niño pode tornar gestão decisiva para a safra 2026/27

Produtores mais preparados tendem a ter vantagem diante de um ambiente climático cada vez mais imprevisível

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A possível formação do El Niño ao longo de 2026 pode trazer um efeito cada vez mais presente dentro das fazendas brasileiras: menos tempo para errar. Com maior instabilidade climática, operações como plantio, aplicação e manejo fitossanitário passam a depender de intervalos mais curtos. Com isso, aumentam o risco de atrasos, aplicações fora do momento ideal e perdas difíceis de recuperar ao longo do ciclo.

Segundo Rafael Mancini, gerente de Desenvolvimento de Mercado da ADAMA, o desafio da próxima safra pode ir além da interpretação das previsões meteorológicas. “O desafio não será apenas entender a previsão climática. Será conseguir operar dentro das janelas corretas”, afirma.

El Niño e a estratégia no campo

Na prática, isso significa que atividades normalmente tratadas como rotina passam a ter peso estratégico dentro da safra. Em regiões com maior volume de chuva, por exemplo, a redução das janelas de trabalho no campo pode dificultar a entrada de máquinas, atrasar pulverizações, comprometer qualidade de aplicação e aumentar o risco de intervenções fora do momento mais adequado.

“Em muitos casos, o produtor até sabe o que precisa ser feito, mas encontra dificuldade para executar no momento correto. E, em um cenário mais instável, alguns dias e a escolha correta do produto podem fazer diferença importante no resultado final”, explica Mancini.

Em sua avaliação, o El Niño tende a pressionar diretamente a capacidade de resposta da operação no campo. Isso porque o fenômeno interfere simultaneamente em diferentes etapas do manejo, desde plantabilidade e emergência até residual de herbicidas, desenvolvimento radicular, compactação do solo, qualidade das aplicações e janela de colheita.

Comportamento fitossanitário nas lavouras

Além dos impactos operacionais, a mudança no padrão climático também altera o comportamento fitossanitário das lavouras. Cenários de maior umidade e molhamento foliar aumentam a pressão de doenças como ferrugem asiática, antracnose, cercosporiose, doenças de final de ciclo e podridões.

Já em regiões mais secas, o cenário muda. Plantas sob estresse tendem a apresentar pior fechamento de linhas, menor competitividade e maior vulnerabilidade a escapes de plantas daninhas e pragas favorecidas por calor e déficit hídrico.

Preparação para ambientes mais previsíveis

Para a ADAMA, esse contexto deve acelerar uma mudança que já vinha ocorrendo no campo. Os produtores mais preparados tendem a ganhar vantagem em ambientes mais imprevisíveis. “Anos assim normalmente ampliam a diferença entre quem consegue antecipar decisões e quem depende de correções ao longo do ciclo”, reforça Mancini.

De acordo com ele, isso envolve uma combinação de fatores que começa antes mesmo do plantio, como escolha de cultivares mais estáveis, posicionamento adequado de pré-emergentes, manejo de palhada, definição de população de plantas, logística de aplicação e monitoramento mais frequente da lavoura.

“O clima continua sendo determinante, mas a forma como o produtor se prepara e reage ao longo do ciclo passa a ter impacto ainda maior sobre o resultado da safra”, conclui.

Planejamento ganha ainda mais importância

Em um cenário de maior instabilidade climática, planejamento, monitoramento e capacidade de resposta tendem a ser fatores cada vez mais decisivos para o desempenho das lavouras. Por isso, não perca as notícias do Hub do Café para conferir análises, tendências e orientações sobre os impactos do clima na cafeicultura.


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