
Broca-do-café exige monitoramento e manejo desde a etapa pós-colheita
Praga pode comprometer o peso e a qualidade dos grãos; identificação dos talhões afetados ajuda a definir o momento e as estratégias de controle
Atualizado em 05/10/2026
Broca-do-café exige monitoramento e manejo desde a etapa pós-colheita
Praga pode comprometer o peso e a qualidade dos grãos; identificação dos talhões afetados ajuda a definir o momento e as estratégias de controle

Por Redação em 09/10/2026
Atualizado em 05/10/2026
A broca-do-café é uma das pragas mais prejudiciais à cafeicultura. O inseto perfura os frutos e deposita seus ovos, e as larvas passam a se alimentar do interior dos grãos, provocando perdas de produtividade e qualidade. As condições mais favoráveis ao ataque ocorrem em regiões de clima quente, onde o ciclo do inseto, do ovo à fase adulta, acontece em menor período, possibilitando maior número de gerações ao longo do ano e, consequentemente, aumento da população e da incidência da praga.
Segundo Fábio Júnior Silveira, do Departamento Técnico da Cooxupé, a broca se alimenta e se reproduz no café, provocando danos diretamente nos frutos e nas sementes.
“A broca é um inseto coleóptero que se alimenta do café, do fruto e da semente, e se reproduz no próprio café. Além de provocar a corrosão, consumindo parte da massa do grão, ela também causa perda de peso”, explica.
De acordo com Fábio, estudos e trabalhos de campo apontam que as perdas de peso podem chegar a 22%. Os danos também podem comprometer a qualidade da bebida.
“Você pode ter um café em uma área com potencial para produzir uma bebida especial, mas isso pode não acontecer por causa do ataque da broca. Ela corrói, perfura e provoca oxidação, prejudicando muito a bebida”, afirma.
Monitoramento da broca-do-café orienta o controle
A broca não ocorre em todos os talhões com a mesma intensidade. Por isso, é importante identificar e monitorar a presença da praga por meio da observação visual dos frutos e da contagem do percentual de frutos brocados. O uso de armadilhas também pode auxiliar no monitoramento e atuar como ferramenta de controle.
Para Fábio, o manejo deve começar ainda na fase pós-colheita, com medidas que reduzam as condições favoráveis à permanência do inseto na área.
“O manejo tem que começar na etapa pós-colheita, com uma colheita bem feita e a varrição. Depois disso, entram as aplicações de produtos biológicos e químicos. O monitoramento também é muito importante, porque vai indicar o talhão e a área que precisam ser controlados”, explica.
Após a colheita e com a abertura da florada, ocorre a revoada das brocas. Segundo o técnico, esse é um momento que exige atenção do produtor para definir as medidas de controle.
“A partir do momento em que foi feita a colheita e ocorre a florada, as brocas começam a revoada. A flor libera voláteis e a broca identifica as condições para fazer a oviposição. É nesse período que o produtor começa a fazer as aplicações”, acrescenta.
Histórico do talhão ajuda a definir o manejo
Nos talhões com histórico de alta pressão de broca, as primeiras aplicações devem ser feitas com inseticidas de choque associados a inseticidas biológicos logo após a florada. Nas aplicações seguintes, a orientação é utilizar inseticidas de maior residual, também associados a produtos biológicos à base de Beauveria bassiana.
Em áreas com alta pressão da praga, a pulverização de Beauveria bassiana também pode ser realizada no solo, com o objetivo de atingir a broca presente nos frutos remanescentes.
Momento da aplicação faz diferença
Para uma boa eficiência dos inseticidas, a broca precisa estar fora dos frutos, pois a principal forma de contaminação ocorre enquanto o inseto caminha pela superfície da planta pulverizada.
Quando a broca já está dentro do fruto, a eficiência do controle é muito reduzida. Por isso, é importante iniciar as aplicações mais cedo, antes que o inseto consiga entrar no fruto.
Para mais informações e orientações sobre o manejo da broca-do-café, assista ao vídeo completo do Cooxupé em Foco.
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