
Café solúvel é tudo igual? Indústria quer provar que não!
Durante Semana Internacional do Café, associação que representa o setor anunciou o lançamento de nova metodologia
Atualizado em 10/10/2023
Café solúvel é tudo igual? Indústria quer provar que não!
Durante Semana Internacional do Café, associação que representa o setor anunciou o lançamento de nova metodologia

Por Redação em 02/12/2022
Atualizado em 10/10/2023
“Café solúvel não é tudo igual”. Quem garante isso é Aguinaldo Lima, diretor de relações da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS), que representa a indústria do segmento.
Desse modo, para provar a afirmação, a ABICS anunciou durante a Semana Internacional do Café (SIC) o lançamento em nível mundial da Metodologia de Análise Sensorial do Café Solúvel.
O documento reúne uma série de atributos que, sobretudo, devem ajudar o mercado consumidor a diferenciar os tipos de cafés. Como mostra reportagem da Globo Rural.
Café solúvel não é tudo igual
A iniciativa da ABICS, acima de tudo, é vista como uma mudança importante para o segmento de café solúvel.
Anteriormente, cada indústria tinha seu próprio protocolo de qualidade. E a Metodologia de Análise Sensorial do Café Solúvel veio, enfim, para fazer a cadeia “falar a mesma língua”.
Por exemplo, em 2004 houve a criação do Programa de Qualidade do Café (PQC) pela Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC). Isso para certificar a qualidade do produto torrado e moído encontrado nas gôndolas dos supermercados.
Projeto é de 2019
Todavia, a nova metodologia da ABICS começou a ser elaborada em 2019. E os trabalhos reuniram, inicialmente, um grupo de experts formando por profissionais da indústria e pesquisadores do assunto. Eles discutiram os principais atributos dos cafés solúveis.
Assim, o grupo chegou a 15 atributos principais: doçura, acidez, madeira, floral, vegetal, intensidade de sabor residual, adstringência, amargor, sabor de café extraído em excesso e corpo.
Foram avaliadas, ainda, as notas sensoriais como nozes, especiarias, frutado, chocolate e mel. E, igualmente, estabelecidas notas de 0 a 5 para cada um deles, sendo 0 ausência e 5 muito persistente.
Tipos de cafés
O resultado foi compilado em um aplicativo que gera um laudo, enquadrando o café solúvel em uma de três categorias. Como, por exemplo:
Excelência: com doçura e acidez marcantes, com complexidade aromática intensa, pouco amargor e adstringência, presença de notas achocoladas, florais, com aroma e sabor suaves;
Diferenciados: acidez equilibrada, com presença de notas amadeiradas, amêndoas e especiarias, com leve sabor de extração excessiva, média potência no paladar, amargor e adstringência média;
Convencionais: baixa doçura e acidez, amargor e adstringência presentes, forte potência de paladar, bom corpo, com presença de extração mais excessiva, finalização longa duradora.
Estimular as vendas
O objetivo da recém-lançada metodologia é estimular ainda mais as vendas de café solúvel do Brasil. Que já tem a liderança nas exportações mundiais, com um recorde de 4,09 milhões de sacas de 60 kg em 2021.
Esse montante rendeu, nesse meio tempo, uma receita de US$ 566,2 milhões ao país. Porém, embora represente 28% do café consumido no mundo, o produto ainda é visto por muitos como categoria de menor qualidade.
De acordo com Eliana Relvas, cafeóloga e consultora da ABICS, a mudança vem em boa hora. “O protocolo vem para quebrar paradigmas, mostrar a diversidade e os atributos destes cafés solúveis, que são oriundos de cafés arábicas, canéforas ou blends e podem ser feitos por diferentes processos”.
Ou seja, a partir da constatação dessa diversidade de produtos, a ideia é se basear nesses atributos sensoriais para, dessa forma, direcionar o café solúvel mais adequado à demanda do cliente.
“Se o seu cliente vai usar o café solúvel para elaborar uma bebida que leva canela, não adianta sugerir a categoria de excelência, porque a canela vai matar o sabor e aroma suaves do café”, explica Eliana.
Em suma, a ideia da ABICS é incentivar a formação do IC Grader, sigla em inglês para denominar o avaliador da qualidade do café solúvel, como ressalta Lima. “Não queremos ser os detentores da metodologia, apenas o promotor. Outras organizações poderão aplicar”, finaliza.
Assine nossa Newsletter
Cadastre-se gratuitamente e receba nossa newsletter para ficar por dentro das novidades do mercado de café.
Continue lendo

Topografia influencia qualidade do solo em lavouras de café sombreado

Estudo aponta como café pode contribuir para saúde e envelhecimento

Cooxupé chega ao grupo das 100 maiores empresas no Valor 1000
