
CNA analisa impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia no agro
Entidade participou de audiência pública conjunta na Câmara dos Deputados
Atualizado em 01/06/2022
CNA analisa impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia no agro
Entidade participou de audiência pública conjunta na Câmara dos Deputados

Por Redação em 01/06/2022
Atualizado em 01/06/2022
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) debateu, no dia 31 de maio, os impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia. O encontro abordou os impactos da guerra no agronegócio e no cenário geopolítico global, além dos efeitos econômicos e sociais no Brasil.
O tema fez parte de uma audiência pública conjunta da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) e da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS).
Impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia
A coordenadora do Núcleo de Inteligência de Mercado da CNA, Natália Fernandes, destacou os pontos que mais afetaram o setor agropecuário. Como o aumento dos preços de petróleo, gás, fertilizantes e commodities. Isso porque o Índice de Preços dos Alimentos – medido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) – atingiu recordes entre janeiro e abril de 2022. Assim, com altas de 28% para óleos vegetais, e 20% para os grãos, entre outros exemplos.
De acordo com ela, a Ucrânia é um importante fornecedor mundial de milho, trigo, petróleo e gás natural. A Rússia, no entanto, representa a principal origem de fertilizantes para o Brasil. Além disso, é um grande fornecedor de trigo.
Fertilizantes
Dessa forma, a importação de fertilizantes segue sendo um dos maiores desafios para o País. Das 45,8 milhões de toneladas entregues ao mercado brasileiro em 2021, 90,8% foram importadas. A maior dependência internacional é por fertilizantes potássicos e nitrogenados.
“A possibilidade de o Brasil eliminar a dependência da importação de fertilizantes não é considerada até 2050. Uma redução da dependência dos atuais 90% para 60% dependerá dos resultados da prospecção de reservas minerais de potássio, rocha fosfática e de uma melhor organização do mercado de gás natural”, afirmou Natália.
Conforme a coordenadora do Núcleo de Inteligência de Mercado da CNA, os fertilizantes chegaram a subir, aproximadamente, 70%, e a próxima safra será mais cara. A expectativa é que o custo de produção de soja, em Cascavel (PR), aumente 45%. O valor para a produção de milho 2ª safra, em Rio Verde (GO), será 49% mais alto.
Ela também alertou para a queda dos estoques mundiais de grãos. Bem como os problemas climáticos que reduziram o potencial da safra no Brasil. Como a estiagem que trouxe prejuízos para culturas de 1ª safra, redução de 10,6% na safra de laranja 21/22, menor produção de café para um ano de bienalidade alta e quebras de produção de hortifrútis.
Política de Incentivo
Natália ressaltou, ainda, a importância de políticas de incentivo para a produção de alimentos – principalmente incremento de crédito rural – e do fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes para reduzir a importação desses insumos.
O debate também contou com a participação do embaixador e secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Paulino Franco de Carvalho Neto; do professor da Escola Superior de Guerra, Ronaldo Carmona; e do professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Raphael Padula.
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