
Consumo de café é associado a diferenças na composição corporal, aponta estudo
Pesquisa com mais de 2,2 mil pessoas identificou menor percentual de gordura, maior massa muscular e diferenças hormonais entre consumidores da bebida
Atualizado em 08/09/2026
Consumo de café é associado a diferenças na composição corporal, aponta estudo
Pesquisa com mais de 2,2 mil pessoas identificou menor percentual de gordura, maior massa muscular e diferenças hormonais entre consumidores da bebida

Por Redação em 27/09/2026
Atualizado em 08/09/2026
O consumo de café pode estar associado a diferenças na composição corporal e no metabolismo. Uma pesquisa com 2.264 adultos identificou menor percentual de gordura corporal e maior massa muscular esquelética entre participantes que consumiam a bebida. Os pesquisadores ressaltam, porém, que os resultados não comprovam que o café seja responsável por essas características.
A pesquisa, publicada na revista científica European Journal of Nutrition, analisou dados de finlandeses com 46 anos. Os resultados foram repercutidos em reportagem da Superinteressante, que destacou as associações encontradas entre o hábito de beber café, composição corporal e níveis hormonais.
A escolha da população também chama atenção pelo hábito de consumo no país. A Finlândia está entre os maiores consumidores de café por habitante, e a bebida ocupa espaço relevante na rotina da população.
Por se tratar de um estudo observacional, os resultados indicam associações, e não uma relação de causa e efeito. Isso significa que outros aspectos relacionados ao estilo de vida dos participantes podem ter influência sobre as diferenças identificadas.
Consumo de café e composição corporal
Na comparação entre os participantes, aqueles que bebiam café apresentaram, em média, níveis mais baixos de gordura corporal e maior quantidade de massa muscular esquelética. Segundo o estudo, a associação permaneceu mesmo quando foram comparadas pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) semelhantes.
Entre os participantes com maior ingestão da bebida, os pesquisadores também encontraram concentrações menores de aminoácidos de cadeia ramificada. Essas moléculas são estudadas por sua associação com resistência à insulina e risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2.
Os resultados acrescentam informações às pesquisas que investigam possíveis relações entre o café e aspectos metabólicos. No entanto, os autores destacam a necessidade de novos estudos para compreender os mecanismos envolvidos.
Diferenças hormonais entre homens e mulheres
A pesquisa também identificou diferenças nos níveis hormonais de acordo com o consumo da bebida. Entre os homens que ingeriam mais café, foram observados níveis mais elevados de testosterona total e de globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), proteína que participa da regulação da disponibilidade desses hormônios no organismo.
Por outro lado, os níveis de testosterona livre foram menores nesse grupo. Essa forma do hormônio circula no sangue e corresponde a uma pequena parcela da testosterona presente no organismo.
Entre as mulheres, as diferenças foram menores. O maior consumo da bebida esteve associado principalmente a níveis mais elevados de SHBG e menores concentrações de testosterona ativa e livre.
Luca Verroest, autor do estudo, afirmou ao ScienceDaily que um dos pontos que chamaram a atenção dos pesquisadores foi a identificação de um perfil hormonal distinto, inclusive após serem considerados o IMC e fatores relacionados ao estilo de vida. As associações também apresentaram diferenças entre homens e mulheres.
Resultados não indicam causa e efeito
Apesar das associações identificadas, os pesquisadores alertam que os dados não permitem afirmar que beber café provoque redução da gordura corporal, aumento da massa muscular ou alterações hormonais.
Estudos observacionais permitem identificar padrões em grandes grupos, mas não isolam todos os fatores que podem interferir nos resultados. Alimentação, prática de atividade física e outros hábitos, por exemplo, podem influenciar características metabólicas e corporais.
Os achados, portanto, servem como ponto de partida para novas pesquisas. Estudos futuros poderão investigar os mecanismos envolvidos e avaliar se o café exerce influência direta sobre as alterações observadas.
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