
Produção de café deve atingir 66,7 milhões de sacas na safra 2026, com alta de 18%
Bienalidade positiva, clima favorável e expansão de área devem levar a produção de café ao maior volume já registrado no país
Atualizado em 24/09/2026
Produção de café deve atingir 66,7 milhões de sacas na safra 2026, com alta de 18%
Bienalidade positiva, clima favorável e expansão de área devem levar a produção de café ao maior volume já registrado no país

Por Redação em 21/05/2026
Atualizado em 24/09/2026
A produção de café brasileira deve alcançar 66,7 milhões de sacas na safra 2026, o que representa um crescimento de 18% em relação à temporada anterior. Caso o resultado se confirme, será o maior volume já registrado na série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), superando em 5,74% o recorde anterior, de 2020, quando foram colhidas 63,08 milhões de sacas.
O desempenho positivo é sustentado pelo ciclo de bienalidade positiva, pela entrada de novas áreas em produção e por condições climáticas mais favoráveis ao desenvolvimento das lavouras.
A área total destinada à cafeicultura também deve crescer 3,9%, chegando a 2,34 milhões de hectares — sendo 1,94 milhão em produção e 401,7 mil hectares em formação. Já a produtividade média nacional está estimada em 34,4 sacas por hectare, uma recuperação de 13%.
Os dados fazem parte do 2º Levantamento da Safra de Café 2026, divulgado pela Conab.
Produção de café é impulsionada pelo arábica
Para o café arábica, a estimativa é de 45,8 milhões de sacas, um aumento expressivo de 28% em relação ao ano anterior. Este resultado configura a terceira maior produção da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2018.
O avanço é explicado principalmente pelos efeitos positivos da bienalidade, aliados a condições climáticas favoráveis.
Conilon mantém estabilidade
No caso do conilon, a previsão é de 20,9 milhões de sacas, com leve alta de 0,8% frente à safra passada. O crescimento da área em produção — estimada em 388,22 mil hectares — compensa a queda de 3,5% na produtividade média, prevista em 53,9 sacas por hectare.
Destaque para os estados produtores
Minas Gerais, principal produtor do país, deve alcançar 33,4 milhões de sacas, considerando arábica e conilon — um crescimento de 29,8% em relação à safra anterior. O resultado é atribuído à bienalidade positiva e à boa distribuição de chuvas, especialmente no período pré-florada, além de condições climáticas favoráveis até março.
No Espírito Santo, segundo maior produtor nacional, a produção deve chegar a 18 milhões de sacas, com alta de 3%. O arábica apresenta forte crescimento de produtividade (27,9%), com previsão de 4,4 milhões de sacas. Já o conilon deve somar 13,6 milhões de sacas, registrando queda de 4,2%, influenciada pelo alto desempenho da safra anterior e por temperaturas abaixo da média ao longo do ciclo.
Na Bahia, a safra deve crescer 5,9%, com produção estimada em 4,7 milhões de sacas — sendo 1,2 milhão de arábica e 3,5 milhões de conilon. O resultado reflete a regularidade climática, maior investimento em manejo e a entrada de novas áreas produtivas.
Em São Paulo, onde o cultivo é exclusivamente de arábica, a produção deve atingir 5,9 milhões de sacas, com aumento de 24,6%.
Já em Rondônia, com produção voltada ao conilon, a expectativa é de 2,8 milhões de sacas, crescimento de 19,4%. O avanço é impulsionado pela renovação de lavouras com materiais clonais mais produtivos e por condições climáticas favoráveis.
Mercado
Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de café, uma queda de 22,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A redução reflete o baixo nível dos estoques internos, resultado da limitação produtiva em anos anteriores combinada com uma demanda externa aquecida.
Apesar disso, a expectativa é de recuperação das exportações no segundo semestre, impulsionada pela maior oferta da safra atual.
Cenário internacional
No mercado global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta um crescimento de 2% na produção mundial de café no ciclo 2025/26, totalizando 178,8 milhões de sacas.
Mesmo com a alta na produção, não são esperadas quedas significativas nos preços. O cenário é sustentado pelos baixos estoques remanescentes e pela expectativa de crescimento de 1,3% na demanda global, estimada em 173,9 milhões de sacas.
A produção de café brasileira, nesse contexto, ganha ainda mais relevância para o equilíbrio do mercado global, com impacto direto sobre a oferta, os preços internacionais e as estratégias de exportação nos próximos ciclos.
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