
Vigilância contra café fake e impuro deve aumentar no varejo
Indústria e supermercados discutem ampliação da certificação e maior integração na fiscalização de produtos comercializados no país
Atualizado em 16/09/2026
Vigilância contra café fake e impuro deve aumentar no varejo
Indústria e supermercados discutem ampliação da certificação e maior integração na fiscalização de produtos comercializados no país

Por Redação em 23/09/2026
Atualizado em 16/09/2026
A indústria brasileira pretende ampliar a vigilância contra café fake e impuro comercializado no varejo e aumentar a presença de produtos certificados nas prateleiras dos supermercados. A estratégia inclui o monitoramento de lotes em diferentes regiões do país e a proposta de criação de uma espécie de “gôndola certificada”, destinada a reunir cafés com selo de qualidade.
Segundo a Associação Paulista de Supermercados (APAS), cerca de 10% dos cafés comercializados no varejo ainda precisam avançar no processo de análise e certificação. A avaliação é que uma maior adesão dos supermercados aos selos pode funcionar como barreira adicional à entrada de produtos irregulares no mercado. As informações foram veiculadas pelo site CNN Brasil.
Entre as propostas defendidas pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) está o aumento da integração com o varejo para que a certificação também seja considerada na organização das prateleiras.
ABIC amplia monitoramento de cafés
O tema integrou a agenda do seminário “Defesa do consumidor de café: o papel das entidades públicas e privadas”, realizado pela primeira vez em São Paulo. Em sua terceira edição, o encontro reuniu representantes da indústria, do varejo e de órgãos públicos para discutir qualidade, segurança e combate às fraudes no mercado de café.
De acordo com o presidente da ABIC, Pavel Cardoso, a entidade mapeia lotes comercializados em todo o país. O próximo passo, segundo ele, é ampliar esse alcance, inclusive por meio de avanços regulatórios, para elevar a participação de cafés certificados no mercado.
Atualmente, a associação realiza cerca de 5 mil análises de lotes por ano. Desde 1979, quando iniciou o trabalho de monitoramento e certificação, foram aproximadamente 170 mil análises.
Vigilância contra café fake e impuro passa pela certificação
O tamanho do mercado amplia a importância desse controle. Segundo Erlon Ortega, da APAS, o varejo comercializa cerca de 80 mil toneladas por ano de café tradicional em pacotes de 500 gramas.
Ortega afirma que o café já está à frente de segmentos como hortifrúti e carnes quando se considera a organização do setor em torno dos processos de certificação e dos selos de qualidade.
Ainda assim, indústria e varejo avaliam que há espaço para avançar. A proposta é fazer com que a certificação não seja apenas uma informação disponível na embalagem, mas também tenha maior peso na seleção dos produtos comercializados pelos supermercados.
Fiscalização ainda é fragmentada
Para a ABIC, uma das dificuldades no combate aos cafés fraudulentos está na estrutura pública de fiscalização. A entidade avalia que a descentralização dos processos entre diferentes órgãos pode reduzir a eficiência do monitoramento.
Há casos em que marcas ou lotes suspeitos são coletados, mas análises e informações ficam distribuídas entre diferentes estruturas de fiscalização. Com isso, parte das coletas pode não ser aproveitada de maneira integrada para acelerar a identificação e a retirada de produtos irregulares.
Outro ponto considerado crítico é o intervalo entre a identificação de uma irregularidade e a aplicação de sanções. Como as fiscalizações podem estar relacionadas a lotes específicos e envolver diferentes órgãos, o tempo de resposta se torna importante para impedir que produtos fora dos padrões permaneçam no mercado.
A indústria defende maior integração dos processos de coleta, análise e fiscalização, além de uma estrutura pública mais coordenada. A avaliação é que o avanço da certificação no varejo precisa estar associado a uma resposta mais rápida do poder público para ampliar o controle sobre cafés impuros ou fraudulentos.
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