menor risco de infarto

Café é associado a menor risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca

Declaração científica da American Heart Association mostra que consumo moderado de cafeína é considerado seguro para a maioria dos adultos

Por Redação em 21/09/2026

Atualizado em 28/08/2026

Café é associado a menor risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca

Declaração científica da American Heart Association mostra que consumo moderado de cafeína é considerado seguro para a maioria dos adultos

menor risco de infarto

Por Redação em 21/09/2026

Atualizado em 28/08/2026

O consumo moderado de café pode fazer parte da rotina da maioria dos adultos e está associado a benefícios para a saúde cardiovascular, entre eles menor risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca. A conclusão faz parte de uma declaração científica da American Heart Association (AHA), que revisou estudos sobre os efeitos da cafeína e de suas diferentes fontes na saúde do coração.

A notícia, divulgada pelo site G1, destaca que, segundo o documento, o consumo de até 400 miligramas de cafeína por dia é considerado seguro para a maioria dos adultos. Essa quantidade corresponde, aproximadamente, a três a cinco xícaras de café de 240 ml, embora o teor da substância possa variar conforme o tipo de grão, método de preparo e tamanho da porção.

As evidências analisadas associam o consumo moderado de café a menores riscos de doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, hipertensão e diabetes tipo 2. Estudos de acompanhamento também encontraram relação entre o hábito e menor risco de morte por todas as causas.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que os resultados favoráveis observados principalmente com o café não devem ser aplicados a todas as fontes de cafeína. Bebidas energéticas, suplementos e produtos com doses elevadas ou concentradas da substância podem apresentar efeitos diferentes e trazer riscos à saúde cardiovascular.

Café reúne compostos além da cafeína

A relação entre café e saúde cardiovascular não parece estar ligada apenas à cafeína. Segundo a declaração, grande parte das pesquisas disponíveis avaliou o consumo da bebida como um todo, e não a substância de forma isolada.

O café reúne diferentes compostos biologicamente ativos, como ácidos clorogênicos, diterpenos, trigonelina e melanoidinas. Essas substâncias apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias e são estudadas por possíveis efeitos sobre a sensibilidade à insulina, o funcionamento dos vasos sanguíneos e o metabolismo da glicose.

Essa composição pode ajudar a explicar o motivo que pesquisas com café apresentam resultados diferentes daqueles observados com a cafeína isolada ou presente em outras bebidas e produtos.

Consumo e menor risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca

A revisão aponta que o consumo habitual de café não foi associado ao aumento do risco de doença arterial coronariana. Pelo contrário, diferentes estudos encontraram uma redução aproximada de 10% no risco da doença entre consumidores de quantidades leves ou moderadas, com algumas análises indicando os menores índices entre quem bebia de duas a três xícaras por dia.

Em relação à insuficiência cardíaca, a maior parte das pesquisas também não identificou aumento do risco. Alguns trabalhos encontraram redução moderada da ocorrência da doença, principalmente entre pessoas que consumiam quantidades baixas ou moderadas de café.

Os resultados sobre fibrilação atrial seguem direção semelhante. Segundo os pesquisadores, o consumo moderado de café com cafeína, em geral, não aumenta o risco dessa arritmia e, em diversos estudos, esteve associado a uma menor ocorrência.

Pressão arterial e diabetes também foram avaliados

Os efeitos sobre a pressão arterial podem variar de uma pessoa para outra. Pessoas com hipertensão podem apresentar aumento temporário da pressão após ingerir cafeína. No longo prazo, porém, os estudos indicam que os impactos do consumo habitual tendem a ser pequenos.

A declaração também analisou a relação com o diabetes tipo 2. Uma revisão de 28 estudos prospectivos apontou redução de 20% no risco da doença entre pessoas que consumiam, em média, 3,5 xícaras de café por dia. Para aqueles que bebiam cerca de cinco xícaras diariamente, a associação chegou a uma redução de 30%.

Os pesquisadores destacam novamente que esses resultados parecem estar relacionados ao consumo de café e não necessariamente à cafeína de forma isolada.

Método de preparo pode influenciar o colesterol

A forma de preparar a bebida também merece atenção. Segundo o documento, métodos que não utilizam filtro de papel podem manter maiores quantidades de cafestol, composto capaz de elevar os níveis de colesterol LDL.

A substância está presente principalmente em preparações sem filtragem, como prensa francesa, café turco e café fervido escandinavo, além de aparecer em menor quantidade no espresso. O café preparado com filtro de papel e o solúvel apresentam níveis bem menores desse composto.

Altas doses de cafeína exigem atenção

As principais preocupações apontadas pela American Heart Association estão relacionadas às bebidas energéticas e ao consumo de doses muito elevadas de cafeína. Esses produtos podem aumentar a pressão arterial e, especialmente quando ingeridos em grandes quantidades, estão associados a possíveis efeitos cardiovasculares adversos.

A resposta à cafeína também varia entre as pessoas. Fatores genéticos interferem na velocidade com que o organismo metaboliza a substância, enquanto condições individuais podem modificar a tolerância ao consumo.

Por isso, o limite de até 400 mg por dia é uma referência para a maioria dos adultos e não uma indicação de consumo. Pessoas mais sensíveis à cafeína ou que tenham condições específicas de saúde podem necessitar de orientações individualizadas.

Estudos ainda buscam entender os mecanismos

Apesar das associações favoráveis, a American Heart Association ressalta que boa parte das evidências vem de estudos observacionais. Dessa forma, os resultados não comprovam uma relação direta de causa e efeito entre o consumo de café e a redução de doenças cardiovasculares.

Novas pesquisas são necessárias para diferenciar os efeitos da cafeína daqueles relacionados aos demais componentes do café, além de compreender como diferentes fontes da substância atuam no organismo.

Os pesquisadores reforçam ainda que os possíveis benefícios identificados em estudos com café não devem ser extrapolados para suplementos, energéticos ou produtos com altas concentrações de cafeína.


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