Chuvas de janeiro na cafeicultura provocam atraso nos tratos culturais e exigem atenção nutricional
Volume elevado de precipitações no Sul de Minas e Cerrado Mineiro favoreceu doenças, lixiviação de nutrientes e atraso no manejo
As chuvas de janeiro na cafeicultura ficaram acima da média histórica em grande parte das regiões monitoradas no Sul de Minas e no Cerrado Mineiro. Com base nos dados das estações meteorológicas da área de Geoprocessamento da Cooxupé, municípios como Nova Resende (536,4 mm) e Serra do Salitre (490,2 mm) registraram volumes expressivos, mantendo o armazenamento de água no solo em 100% durante praticamente todo o mês e gerando elevado excedente hídrico.
Embora a boa disponibilidade de água favoreça o desenvolvimento das lavouras, o excesso trouxe desafios importantes para a cafeicultura em janeiro, principalmente relacionados à nutrição das plantas e ao manejo fitossanitário.
Excesso de chuva de janeiro aumenta risco de deficiência nutricional
Os altos volumes de precipitação favoreceram processos de lixiviação e escorrimento superficial, reduzindo a disponibilidade de nutrientes aplicados via adubação. Foram observadas deficiências de ferro, cobre, zinco e magnésio em algumas áreas.
Diante desse cenário, a recomendação é reforçar o monitoramento nutricional por meio de análises foliares, avaliando a necessidade de correções. Segundo o engenheiro agrônomo Guilherme Vinícius Teixeira e o analista de geoprocessamento, Eduardo de Melo Silva Borges, o acompanhamento técnico se torna essencial para evitar impactos no enchimento dos grãos, fase em que as lavouras se encontram atualmente.
Atraso nos tratos culturais e avanço de doenças
O elevado volume de chuvas e os vários dias com tempo encoberto dificultaram operações como adubação, controle de plantas daninhas e manejo fitossanitário. O atraso nessas atividades pode aumentar o risco de perdas produtivas.
Também houve maior pressão de doenças como ferrugem (com alta infestação), Phoma, antracnose e cercosporiose, além da necessidade de monitoramento constante da broca. Em algumas propriedades, o uso de drones agrícolas permitiu aproveitar janelas curtas de estiagem para realizar pulverizações, com bons resultados operacionais.
Excedente hídrico e manejo conservacionista
Todos os municípios monitorados registraram excedente hídrico, chegando a 433,1 mm em Nova Resende. Isso significa que parte da água não foi infiltrada pelo solo, aumentando o risco de erosão e perda de nutrientes.
Nesse contexto, práticas conservacionistas ganham ainda mais relevância, como:
- uso de plantas de cobertura nas entrelinhas;
- controle de enxurradas;
- manejo adequado do solo para aumentar infiltração e reduzir erosão.
Fase de granação exige atenção redobrada
As lavouras estão na fase de granação dos frutos, período determinante para o enchimento e definição do peso dos grãos. Estresses causados por desequilíbrio nutricional, doenças ou variações climáticas podem comprometer rendimento e qualidade final do café.
Apesar dos desafios trazidos pelas chuvas de janeiro na cafeicultura, as lavouras apresentam bom desenvolvimento vegetativo. O momento exige monitoramento técnico constante e retomada estratégica dos tratos culturais para preservar produtividade e qualidade na próxima colheita.