
Cooxupé estreia no mercado de capitais
Cooperativa captou R$ 150 milhões por meio da emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) para capital de giro
Atualizado em 15/09/2021
Cooxupé estreia no mercado de capitais
Cooperativa captou R$ 150 milhões por meio da emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) para capital de giro

Por Redação em 13/09/2021
Atualizado em 15/09/2021
A Cooxupé fez sua estreia no mercado de capitais em agosto. Assim, conseguiu a captação de R$ 150 milhões em recursos por meio da emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA).
Para o presidente da cooperativa, Carlos Augusto Rodrigues de Melo, é importante a Cooxupé estar no mercado de capitais. Principalmente para acessar uma nova fonte de recursos financeiros.
“Fonte esta que normalmente busca prazos mais longos e traz, assim, a possibilidade de alongamento do perfil do financiamento da Cooperativa. O reflexo para o cooperado é indireto: um perfil de financiamento mais alongado à Cooxupé permite que ela continue oferecendo prazos compatíveis com os negócios feitos para os cooperados, como o financiamento de máquinas e equipamentos na Femagri e na Feira do Cerrado”, diz.
O título CRA captado tem garantia em Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPR), emitidas pela cooperativa. Portanto, a operação fica totalmente baseada no risco da própria cooperativa. “Com o CRA, temos uma alternativa aos nossos financiamentos, ao ter acesso a investidores (pessoas físicas) que têm procurado novas opções para investir.”
De acordo com o presidente, a cooperativa optou por estrear com esta operação menor para conhecer o funcionamento do mercado, além de apresentar a Cooxupé a esses investidores. “Assim, estaremos prontos para captações semelhantes no futuro, caso faça sentido”, acrescentou Carlos Augusto.
A operação
A operação, que foi coordenada pelo Itaú BBA, foi dividida em duas séries, com três e cinco anos.
A primeira delas teve indexação no DI. Que é uma das taxas de juros praticadas nos empréstimos entre instituições financeiras derivada do certificado de depósito interbancário ou interfinanceiro (CDI).
Já a segunda tem remuneração atrelada ao IPCA. Para esta última, a cooperativa fez um swap, ou seja, uma troca de posições quanto ao risco e à rentabilidade. Dessa forma, essa série também ficou indexada no DI, assim como a primeira.
“O desenho da operação foi feito para ficar em linha com o que acessamos hoje no mercado financeiro, até mesmo para podermos ter uma boa base de comparação de custo. Avaliamos também o que é demandado pelos investidores”, disse o presidente da cooperativa.
Ainda segundo Carlos Augusto, o DI faz sentido para Cooxupé pois as aplicações financeiras da cooperativa são sempre em papéis com esse indexador. Portanto, o financiamento no DI é como uma proteção natural a isto.
Percepções
Como o título foi vendido para um grupo restrito de investidores, Carlos Augusto disse que uma melhor percepção sobre a entrada nesse mercado poderá ser sentida em um próximo momento, quando os papéis forem comercializados no mercado secundário.

O CRA é um assunto antigo e recorrente na Cooxupé, que desde 2018 estudava esta modalidade com mais atenção. No entanto, em alguns momentos, a demanda por estes papéis caiu. Isso em consequência de questões econômicas como a queda da Selic. Portanto, foi preciso adiar o projeto.
Cooxupé estreia no mercado de capitais
Como o setor de café e o cooperativismo não são muito frequentes no mercado de capitais, para fazer a emissão desse CRA foram necessárias reuniões com investidores. Assim foi possível explicar melhor o sistema da Cooxupé.
“Após uma primeira emissão, a empresa começa a ser mais observada, analisada e comentada. Desta forma, o desconhecimento e o custo tendem a cair”, disse Carlos Augusto.
O Departamento de Captações e Mercado Futuro coordenou a operação, com apoio das áreas que auxiliam a Cooxupé na análise de minutas e no envio de documentos.
O processo foi extenso pois incluiu uma Due Diligence -processo de estudo, análise e avaliação detalhada de informações– na empresa. O que foi feito por escritórios de advocacia especializados. Além da análise, discussão e emissão de diversos documentos.
Nestes processos participam todas as partes da operação (Agente Fiduciário, Securitizadora, Coordenador, Assessores Legais, Escriturador/Custodiante são alguns deles).
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