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Do campo ao mercado internacional, informação conecta a cadeia do café

No Mega Brasil, Jorge Florêncio contou como a Cooxupé foi somando canais desde 1970 e chegou à nova versão do Hub do Café

Por Redação em 03/09/2026

Atualizado em 03/09/2026

Do campo ao mercado internacional, informação conecta a cadeia do café

No Mega Brasil, Jorge Florêncio contou como a Cooxupé foi somando canais desde 1970 e chegou à nova versão do Hub do Café

cadeia do cafe

Por Redação em 03/09/2026

Atualizado em 03/09/2026

Mais de cinco décadas depois de criar seu primeiro jornal voltado aos produtores, a Cooxupé dá um novo passo em sua estratégia de comunicação com o lançamento de uma nova versão do Hub do Café. A plataforma evolui para ampliar e facilitar o acesso a informações sobre a cafeicultura, reunindo conteúdos destinados a produtores, mercado, indústria e demais públicos ligados à cadeia do café.

A novidade foi apresentada por Jorge Florêncio, gerente de Comunicação Corporativa da Cooxupé, durante o Mega Brasil Comunicação 2026, realizado em São Paulo. Ao participar de um painel dedicado à comunicação e à liderança de pensamento, ele mostrou que a evolução do Hub faz parte de uma trajetória construída pela cooperativa a partir das mudanças na forma como seus públicos buscam e consomem informação.

Segundo ele, esse processo não nasceu originalmente de uma estratégia voltada à promoção de marca, mas da necessidade de fazer o conhecimento chegar ao setor. “Nós lidamos com comunicação de um setor. Isso é um pouco diferente de lidar com comunicação de marca”, afirmou.

O ponto de partida estava no campo. Diante do desafio de levar conhecimento técnico a um grande número de cafeicultores, distribuídos por diferentes localidades, a Cooxupé começou a desenvolver canais capazes de ampliar o alcance dessas informações. O primeiro deles surgiu em 1970, com a criação de um veículo próprio destinado aos produtores.

Desde então, novos formatos foram incorporados à medida que os hábitos de acesso à informação se transformaram. A nova versão do Hub do Café representa mais uma etapa desse movimento ao concentrar, em ambiente digital, conteúdos sobre diferentes dimensões da cafeicultura e buscar tornar essas informações mais acessíveis aos diversos públicos do setor.

A informação precisava chegar ao campo

Painel dedicado à comunicação e à liderança de pensamento durante o Mega Brasil 2026

A necessidade de ampliar a comunicação estava diretamente ligada ao modelo cooperativista. Na Cooxupé, o produtor ocupa uma posição central não apenas como público da organização, mas também como cooperado e dono da cooperativa.

O desafio era fazer informações técnicas chegarem a um número maior de cafeicultores sem depender de uma comunicação individual. Mais do que notícias sobre o setor, era preciso colocar em circulação conhecimentos capazes de apoiar o produtor no dia a dia da atividade.

“O que o nosso produtor precisava era de informação e comunicação técnica, que não dava para fazer caso a caso”, explicou Florêncio.

Foi com esse objetivo que, em 1970, começou a circular o primeiro veículo próprio da cooperativa. O jornal reunia informações técnicas destinadas aos produtores e também incorporava conhecimentos desenvolvidos com a participação de escolas e da academia, aproximando conteúdos especializados da realidade do campo.

A iniciativa estabeleceu uma lógica que continuaria orientando a comunicação da Cooxupé nas décadas seguintes, escolhendo os canais a partir da forma como seus públicos acessam e utilizam a informação.

Novos hábitos trouxeram novos canais

O jornal abriu caminho, mas não ficou sozinho. À medida que a rotina dos produtores e as formas de consumir informação mudaram, a Cooxupé passou a incorporar outros meios sem necessariamente abandonar aqueles que continuavam relevantes.

O impresso, por exemplo, permanece em circulação e, de acordo com o gerente, alcança cerca de 20 mil exemplares por mês. O rádio também passou a fazer parte dessa estratégia justamente por estar presente no cotidiano de muitos produtores.

Atualmente, cerca de 30 emissoras transmitem conteúdos da cooperativa. Entre eles está o Painel Rural, que leva diariamente informações sobre mercado, clima e negócios em programas de quatro a cinco minutos.

Com o avanço da internet, a comunicação também chegou ao ambiente digital. Vieram o site e, posteriormente, as redes sociais, ampliando o acesso aos conteúdos produzidos pela cooperativa e permitindo alcançar também públicos interessados na cafeicultura brasileira fora das regiões de atuação direta da Cooxupé.

Entre 2016 e 2017, esse processo ganhou uma nova dimensão com o desenvolvimento de um aplicativo destinado aos cooperados. Além de informação, a ferramenta passou a reunir funcionalidades diretamente relacionadas ao negócio do produtor.

A chegada de cada nova tecnologia, porém, não significou o desaparecimento das anteriores. “Não acabou nada. O jornal continua, as redes continuam, o site continua, o rádio continua”, destacou Florêncio.

A fala resume uma característica dessa trajetória. Em vez de substituir os meios já existentes, a comunicação passou a incorporar diferentes formatos de acordo com os hábitos e as necessidades de cada público.

Com o aumento da produção de conteúdo e da diversidade de canais, surgiu também outro desafio: organizar esse conjunto de informações e aproximá-las em um ambiente capaz de atender produtores, mercado e demais públicos ligados ao café. É nesse contexto que nasce o Hub do Café.

Nova versão do Hub do Café amplia acesso a conteúdos da cadeia do café

Tendências foram discutidas durante o evento de comunicação

O Hub do Café, que já fazia parte do ecossistema digital da Cooxupé, ganhou uma nova versão voltada a tornar a navegação mais simples e o acesso aos conteúdos mais organizado para os diferentes públicos da cafeicultura.

A plataforma reúne informações sobre mercado, clima, câmbio, cotações internacionais e outros temas de interesse de produtores, cooperados, indústria e mercado.

Para o gerente de Comunicação Corporativa da Cooxupé, a escolha desses conteúdos parte de uma questão prática: entender o que realmente tem valor para quem acompanha os canais da cooperativa.

As cotações da Bolsa de Nova York são um exemplo. “Quando o cooperado olha para a telinha da Bolsa de Nova York e vê que a letra está vermelha, sabe que está baixando; quando está verde, sabe que está subindo”, explicou. “É importante e relevante essa notícia para ele.”

A nova versão do Hub do Café reforça, assim, o papel da plataforma como ponto de acesso a informações relevantes para diferentes públicos da cadeia, acompanhando a evolução das necessidades de quem produz, comercializa e acompanha o café.

Informação também conecta quem produz a quem compra

Se, no início, um dos principais desafios da comunicação era fazer o conhecimento chegar ao produtor, a expansão do mercado internacional trouxe uma nova demanda. Passou a ser necessário também levar informações aos compradores.

De acordo com Florêncio, a Cooxupé comercializa café para cerca de 50 países. Nesse ambiente, conhecer apenas as características do produto já não é suficiente. “Eles não querem mais só tomar café. Querem saber quem produziu, de onde veio, como foi produzido”, afirmou.

Essa necessidade de dialogar com públicos de diferentes mercados também se reflete no Hub do Café, que disponibiliza seus conteúdos em português e inglês, ampliando o acesso às informações sobre a cafeicultura brasileira para leitores de outros países.

A mudança no comportamento dos compradores amplia o papel da comunicação dentro da cadeia. De um lado, produtores precisam acompanhar temas como mercado, clima, câmbio e comercialização. De outro, indústria, clientes e consumidores demonstram interesse crescente pela origem do café e pelas características da produção. A comunicação passa, assim, a ajudar a conectar as duas pontas.

Aplicativo expande a relação com o cooperado

Enquanto o Hub do Café ampliou a capacidade de organizar, contextualizar e disponibilizar informações para diferentes públicos da cafeicultura, o aplicativo da Cooxupé avançou em outra direção ao aproximar o cooperado de serviços e operações diretamente ligados à sua relação com a cooperativa.

“Se o produtor quer vender 10 sacos de café, ele entra no aplicativo, atribui a qualidade, a gente coloca o preço e ele fecha o negócio”, exemplificou o gerente.

As duas plataformas, portanto, fazem parte de uma mesma evolução digital, mas atendem a necessidades distintas. O Hub amplia o acesso à informação sobre diferentes dimensões da atividade cafeeira, enquanto o aplicativo aprofunda a relação operacional do cooperado com a Cooxupé.

Relevância vem antes do canal

Ao apresentar essa trajetória no Mega Brasil Comunicação 2026, Florêncio destacou que a evolução das plataformas só faz sentido quando permanece conectada às necessidades de quem recebe a informação. Para ele, isso também exige que a comunicação ultrapasse os assuntos exclusivamente institucionais. “Não falar só de si mesmo. Precisa falar do setor”, afirmou.

Para ele, oferecer informação e conteúdo que tenham utilidade para o público é fundamental para manter seu interesse ao longo do tempo. “Se eu ficar aqui a semana inteira falando de mim mesmo, no terceiro dia vocês vão cansar disso.”

Essa lógica atravessa diferentes momentos da comunicação da Cooxupé. Do jornal impresso ao rádio, do aplicativo ao Hub do Café, mudaram os formatos, ampliaram-se os públicos e surgiram novas possibilidades de relacionamento com produtores e mercado.

No fim, a força dessa trajetória não está apenas na quantidade de canais criados ao longo do tempo, mas na capacidade de manter a informação próxima de quem precisa dela. Do campo aos mercados internacionais, comunicar continua sendo uma forma de encurtar distâncias, traduzir o que muda no setor e transformar conhecimento sobre o café em algo que faça sentido na vida de quem o produz, negocia e acompanha.


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