
Conflito no Oriente Médio pressiona fertilizantes e custos no agro
Alta dos fertilizantes e do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, pressiona custos no agro e pode impactar preços
Atualizado em 04/03/2026
Conflito no Oriente Médio pressiona fertilizantes e custos no agro
Alta dos fertilizantes e do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, pressiona custos no agro e pode impactar preços

Por Redação em 06/03/2026
Atualizado em 04/03/2026
A escalada do Conflito no Oriente Médio em março de 2026 já começa a repercutir no agronegócio global e acende um alerta também no Brasil. O país importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), e depende de países da região para parte relevante dos nitrogenados, como a ureia. Com paralisações industriais e instabilidade nas rotas marítimas, o insumo voltou a testar o patamar de US$ 500 por tonelada no mercado internacional.
Ao mesmo tempo, o petróleo ultrapassou os US$ 80 por barril, pressionando o preço do diesel. A Confederação Nacional do Transporte aponta que o frete pode representar até 30% do custo logístico em longas distâncias no escoamento de grãos. O resultado é uma combinação de fertilizante mais caro e transporte mais oneroso, fatores que elevam o custo final da produção agrícola.
Conflito no Oriente Médio e os reflexos nos insumos agrícolas
O impacto da alta dos fertilizantes ocorre em cadeia dentro da produção agropecuária. Fertilizantes mais caros elevam o custo de culturas como soja e milho, que são base da ração animal. Esse aumento tende a pressionar também produtos como carnes, ovos e leite.
Além disso, o diesel mais caro encarece o transporte de hortifrúti e alimentos industrializados, aumentando o custo logístico até chegar ao consumidor. Como a alimentação tem peso relevante no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), choques prolongados nos custos da produção podem se refletir na inflação oficial.
Segundo Altair Heitor, contador, psicólogo e especialista em gestão tributária para o agronegócio, natural de São José do Rio Preto (SP) e CFO da consultoria Palin & Martins, o consumidor sente o efeito com alguma defasagem, mas de forma inevitável.
“O produtor absorve parte do aumento no primeiro momento, mas a margem do agro não suporta choques prolongados. Em algum ponto, o reajuste chega à gôndola”, afirma.
Planejamento e diversificação podem reduzir impactos no agro
Para especialistas, se o cenário geopolítico se prolongar por meses, o risco deixa de ser apenas o aumento de preços e passa também pela disponibilidade de insumos.
“O Brasil pode enfrentar dificuldade de acesso a nitrogenados, o que compromete produtividade e área plantada. Isso afeta o volume disponível e sustenta preços elevados por mais tempo”, explica Altair.
Para reduzir os impactos no caixa de produtores e empresas do agronegócio, o especialista recomenda planejamento antecipado de compras, diversificação de fornecedores e negociação de contratos futuros. “Quem depende de um único fornecedor internacional fica mais vulnerável. Diversificar a origem reduz risco”, afirma.
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