
Oferta global de café deve crescer, mas mercado segue atento à geopolítica e ao clima
Especialistas avaliam cenário durante painel no Seminário Internacional do Café, em Santos
Atualizado em 17/07/2026
Oferta global de café deve crescer, mas mercado segue atento à geopolítica e ao clima
Especialistas avaliam cenário durante painel no Seminário Internacional do Café, em Santos

Por Redação em 21/05/2026
Atualizado em 17/07/2026
As perspectivas para a oferta e demanda global de café, os impactos geopolíticos sobre o mercado e os desafios climáticos para as próximas safras foram discutidos na palestra “Supply & Demand”, realizada na tarde desta quinta-feira (21), durante o Seminário Internacional do Café, em Santos (SP).
O painel foi mediado por Carlos Santana, diretor comercial da EISA e vice-presidente da Associação Comercial de Santos, que destacou a resiliência histórica do setor cafeeiro diante de crises globais.
“A indústria do café é incrível e resiliente. Passamos por guerra, pandemia e ainda vemos o consumo crescendo”, afirmou.
O debate reuniu Oscar Schaps, da StoneX, e Claudio Delposto, do Rabobank, que apresentaram análises sobre produção, estoques, consumo e os fatores que devem influenciar o mercado mundial nos próximos anos.
Durante sua apresentação, Oscar Schaps destacou os desafios enfrentados pelo setor nos últimos três anos, marcados por forte volatilidade, mudanças climáticas, tensões geopolíticas e alterações no perfil de consumo global.
Segundo ele, o mercado vem passando por uma transformação importante no comportamento do consumidor e na composição dos blends consumidos mundialmente. Nos últimos 20 anos, a participação do café robusta nas misturas cresceu cerca de 45% em todo o mundo.
“O robusta é o café de entrada do consumidor, impulsionando este consumo. Depois, as pessoas vão descobrindo mais o café e migram para o arábica”, explicou.
Schaps afirmou que os estoques globais seguem pressionados desde o início de 2025, cenário que continuará exigindo atenção do mercado nos próximos ciclos. Apesar disso, ele reforçou que o consumo mundial permanece resiliente.
“O consumidor não deixará de tomar café e o mundo nunca ficará sem café”, afirmou.
Clima, geopolítica e tarifas ampliam incertezas
O executivo também comentou os impactos das tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos, especialmente após as discussões sobre tarifas comerciais durante o governo Donald Trump. Segundo ele, o ambiente de incerteza afetou fluxos comerciais, logística e o mercado global de commodities.
Além disso, Schaps chamou atenção para os efeitos das guerras internacionais, especialmente os conflitos envolvendo o Irã, que vêm pressionando a logística global e influenciando diretamente o custo de fertilizantes e insumos agrícolas.
Outro fator monitorado pelo mercado é o comportamento climático. Segundo ele, a possibilidade de um El Niño mais forte segue no radar do setor e pode impactar diretamente as próximas safras globais.
Ao apresentar as projeções da StoneX para a safra brasileira 2026/27, Schaps estimou uma produção de 75,3 milhões de sacas, sendo 50,2 milhões de arábica e 25,1 milhões de robusta. O executivo destacou ainda o bom desempenho das exportações do Vietnã e o atual ciclo de expansão da produção mundial de commodities agrícolas.
Safra brasileira deve ajudar na recomposição dos estoques
Representando o Rabobank Brasil, Claudio Delposto apresentou a metodologia utilizada pela instituição para avaliação das safras brasileiras, baseada em análises diretamente nas lavouras.
Segundo ele, a expectativa para a produção brasileira em 2026/27 é de 73,3 milhões de sacas, número próximo às estimativas divulgadas pela StoneX.
O analista destacou que as boas condições hídricas registradas nas regiões produtoras, somadas ao nível de capitalização dos produtores e aos investimentos em adubação, devem favorecer o rendimento das lavouras nesta temporada.
“Esperamos um rendimento dentro da média ou melhor do que o do ano passado”, afirmou.
Mesmo com a entrada de uma safra mais robusta, Delposto explicou que o mercado ainda precisará recompor estoques globais bastante reduzidos nos últimos ciclos.
“A próxima safra ajudará a recompor parte dos estoques, mas o mercado ainda precisará de outra safra volumosa para ganhar mais fôlego”, destacou.
O Rabobank também apresentou projeções para outros importantes produtores globais. A expectativa é de uma safra de 29,3 milhões de sacas no Vietnã, volume 2% inferior ao ciclo anterior, enquanto Indonésia deve produzir 11,5 milhões de sacas e a Colômbia 13,8 milhões.
No cenário global, a estimativa apresentada é de uma produção mundial de 181 milhões de sacas, com superávit de 8,7 milhões.
Demanda segue resiliente
Apesar das pressões inflacionárias e dos desafios geopolíticos, os especialistas reforçaram que a demanda global continua resiliente, especialmente nos mercados asiáticos.
Segundo Delposto, a Ásia permanece como um dos principais motores do crescimento do consumo mundial de café, enquanto os preços elevados provocam ajustes nos blends e nas formulações das indústrias, mas sem comprometer o consumo da bebida.
O analista destacou ainda que inflação, guerras, custo dos fertilizantes e disputas geopolíticas seguem pressionando os custos de produção e exigindo maior atenção do setor nos próximos anos.
Temas ligados à oferta, demanda, logística e competitividade seguem no centro das discussões acompanhadas pelo Hub do Café, especialmente diante das transformações que vêm moldando o futuro do mercado cafeeiro mundial.
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