café solúvel em alta

Café solúvel em alta com avanço das exportações e do consumo

Embarques crescem 12,8% e consumo interno avança 11,9% até agosto; setor projeta possibilidade de recordes em 2026

Por Redação em 20/09/2026

Atualizado em 18/09/2026

Café solúvel em alta com avanço das exportações e do consumo

Embarques crescem 12,8% e consumo interno avança 11,9% até agosto; setor projeta possibilidade de recordes em 2026

café solúvel em alta

Por Redação em 20/09/2026

Atualizado em 18/09/2026

O café solúvel em alta nas exportações e no mercado interno marca os primeiros oito meses de 2026. Segundo relatório estatístico da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), os embarques do produto cresceram 12,8% no acumulado do ano, enquanto o consumo pelos brasileiros avançou 11,9%.

As exportações somaram 7,7 mil toneladas em agosto, equivalentes a 333,7 mil sacas de 60 kg, alta de 24,9% sobre o mesmo mês de 2025.

Com o resultado, os embarques acumulados em 2026 chegaram a 65,3 mil toneladas, equivalentes a 2,83 milhões de sacas. No mesmo período do ano passado, foram 57,9 mil toneladas, ou 2,51 milhões de sacas.

O diretor executivo da Abics, Aguinaldo Lima, destaca que o crescimento é consistente. Com exceção de janeiro, todos os meses de 2026 igualaram ou superaram os volumes de 2025, com altas que chegaram a 38,9% em junho.

Exportações avançam para União Europeia

Segundo Lima, dois movimentos recentes nas relações comerciais do setor reforçam a expectativa de um segundo semestre ainda mais forte. Um deles envolve a União Europeia (UE), principal destino dos cafés solúveis brasileiros como bloco, e o outro, os Estados Unidos, maior país importador do produto nacional.

“As exportações ao bloco europeu cresceram 44,2% no acumulado do ano, para 13,1 mil toneladas, e a entrada em vigor do Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a UE, em 1º de maio, abre espaço para ampliarmos ainda mais essa presença. Já os embarques aos EUA seguem 6,1% abaixo de 2025, mas, em agosto, primeiro mês completo após a retirada do tarifaço, subiram 86,8% na comparação anual, um sinal de retomada que esperamos ver mantido até o fim do ano”, projeta.

Café solúvel em alta também no mercado interno

O desempenho também é positivo no mercado brasileiro. Nos oito primeiros meses de 2026, o consumo de café solúvel somou 19,7 mil toneladas, crescimento de 11,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

O avanço ocorreu nas duas categorias. O spray dried cresceu 11,7%, enquanto o freeze dried, de maior valor agregado, apresentou aumento de 13,3%.

Aguinaldo Lima acredita que a combinação entre os investimentos e lançamentos das indústrias brasileiras, a vigência do acordo Mercosul-UE e a retirada do tarifaço dos Estados Unidos pode levar o setor a um resultado histórico em 2026.

“O Brasil tem forte possibilidade de bater recorde tanto em volume exportado quanto no consumo interno de café solúvel”, estima.

Reforma Tributária preocupa indústria

Em contraste com o desempenho das exportações e do consumo interno, a Reforma Tributária acende um sinal de alerta para o setor.

Instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023, a reforma promove mudanças no sistema tributário brasileiro que afetam a indústria de café solúvel.

Historicamente, o setor conta com crédito presumido de PIS/Cofins sobre a aquisição do café verde, mecanismo criado para estimular a industrialização e preservar a competitividade das exportações.

“Esse crédito, equivalente a 7,4% do valor da matéria-prima, sempre contribuiu diretamente para a redução dos custos de produção, mas, com a implementação das novas regras, o benefício foi reduzido para 6,66% em 2026 e será integralmente extinto a partir de 1º de janeiro de 2027”, informa o diretor executivo da Abics.

Lima explica que, embora o café tenha sido incluído na Cesta Básica Nacional, com alíquota zero dos novos tributos CBS e IBS, a medida não produz o mesmo efeito financeiro para a indústria. Isso porque a desoneração não substitui o crédito presumido utilizado para reduzir o custo da matéria-prima.

“Como consequência, a extinção do benefício representará um aumento na estrutura de custos da indústria brasileira de café solúvel, com impactos sobre toda a cadeia produtiva”, comenta.

Diante desse cenário, a Abics mantém diálogo com o governo federal e o Congresso Nacional em busca de alternativas que preservem a competitividade do setor, incluindo mecanismos de transição ou compensação.

“Até o momento, contudo, não há sinalização de reversão da medida, o que deverá resultar na incorporação, a partir de 2027, de um custo antes compensado pelo crédito tributário no produto final”, conclui.

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