
Setembro Amarelo destaca novas relações entre trabalho e café
Cafeterias acompanham rotinas mais flexíveis e se tornam opção para encontros profissionais em meio ao debate sobre saúde mental no trabalho
Atualizado em 10/09/2026
Setembro Amarelo destaca novas relações entre trabalho e café
Cafeterias acompanham rotinas mais flexíveis e se tornam opção para encontros profissionais em meio ao debate sobre saúde mental no trabalho

Por Redação em 14/09/2026
Atualizado em 10/09/2026
A discussão sobre saúde mental no trabalho ganha atenção durante o Setembro Amarelo. Com rotinas profissionais mais flexíveis, cafeterias também passaram a receber reuniões, conversas entre equipes e outros encontros antes concentrados no escritório.
Realizada nacionalmente pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a campanha chama a atenção para a conscientização e a valorização da vida. No ambiente profissional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta fatores como excesso de carga de trabalho, baixo controle sobre as atividades, insegurança no emprego, discriminação e desigualdade entre os riscos que podem afetar a saúde mental dos trabalhadores.
Segundo a OMS, depressão e ansiedade estão associadas à perda estimada de 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com impacto de aproximadamente US$ 1 trilhão em produtividade. Os dados ajudam a dimensionar a relevância do tema e a discussão sobre formas mais sustentáveis de organizar a rotina profissional.
Novas rotinas mudam também os espaços de trabalho
As transformações na forma de trabalhar também aparecem na maneira como as pessoas escolhem os espaços para conversar profissionalmente.
“Nem toda conversa de trabalho precisa acontecer dentro de uma sala de reunião. Com o trabalho híbrido, percebemos uma rotina muito mais flexível, em que as pessoas alternam casa, escritório e outros ambientes ao longo do dia. A cafeteria passou a fazer parte dessa dinâmica por ser um espaço de encontro que permite conversar de uma maneira mais espontânea”, avalia André Henning, cofundador da Go Coffee.
Encontros profissionais ganham formatos mais flexíveis
Uma conversa entre dois profissionais, uma reunião de alinhamento ou um encontro com um cliente não necessariamente exige a mesma estrutura de uma reunião corporativa tradicional. A flexibilização das jornadas abriu espaço para que diferentes ambientes sejam escolhidos de acordo com o objetivo de cada encontro.
Esse movimento não significa que cafeterias substituam escritórios, salas de reunião ou espaços de coworking. Elas passam a atuar como mais uma opção dentro de uma rotina profissional que se tornou menos dependente de um único endereço.
“A cafeteria atende a outro tipo de momento. Existem conversas que pedem uma estrutura formal e outras em que um ambiente mais informal funciona melhor. O que mudou é que o profissional passou a ter mais liberdade para escolher onde determinado encontro faz sentido”, explica o empresário.
Para Henning, essa escolha também está relacionada à maneira como trabalho e vida cotidiana passaram a se misturar em diferentes momentos do dia. “Hoje, uma pessoa pode sair de uma reunião no escritório, encontrar alguém para um café, trabalhar por um período e depois seguir para outro compromisso. A rotina profissional ficou mais fragmentada e móvel. As cafeterias acabaram entrando naturalmente nesse percurso porque já são locais associados a encontros e pausas”, acrescenta.
Setembro Amarelo chama atenção para saúde mental no trabalho
Historicamente associado à socialização, o café também está presente em diferentes situações profissionais. Expressões como “vamos conversar tomando um café” fazem parte da rotina justamente porque a bebida pode funcionar como elemento de aproximação em encontros pessoais e profissionais.
Com as mudanças no modelo de trabalho, esse hábito ganhou novas configurações. Cafeterias recebem desde encontros rápidos até profissionais que aproveitam intervalos entre compromissos para trabalhar ou conversar.
“O café sempre teve esse papel social. Muitas conversas importantes começam com um convite para tomar um café porque existe uma informalidade natural nesse encontro. O que estamos vendo agora é essa característica histórica se adaptar a uma rotina profissional muito mais flexível”, afirma Henning.
Pausa não deve significar improdutividade
Outro ponto que acompanha a discussão sobre saúde mental no trabalho é a relação dos profissionais com as pausas. Em jornadas marcadas por mensagens, reuniões virtuais e diferentes demandas simultâneas, interromper uma atividade por alguns minutos ainda pode ser interpretado de maneira equivocada como falta de produtividade.
Na visão de Henning, as mudanças nas relações profissionais tendem a aumentar a compreensão de que produtividade não deve ser medida apenas pelo tempo ininterrupto diante de uma tarefa. “Durante muito tempo se criou uma associação entre produtividade e estar ocupado o tempo inteiro. Hoje existe uma discussão muito maior sobre qualidade de trabalho, organização da rotina e sustentabilidade dessa produtividade. O café aparece muitas vezes como um marcador desses pequenos intervalos: terminar uma tarefa, levantar, conversar com alguém e depois retomar o dia”, observa.
O executivo ressalta, entretanto, que o cuidado com a saúde mental não pode ser resumido à existência de momentos de pausa ou à escolha de um ambiente mais agradável para trabalhar. “Criar uma cultura profissional saudável exige muito mais do que oferecer benefícios ou incentivar uma pausa para o café. Exige escuta, liderança preparada, condições adequadas de trabalho e respeito aos limites das pessoas. As mudanças de ambiente podem contribuir para uma rotina mais flexível, mas o compromisso com a saúde mental precisa estar na forma como as organizações são geridas”, conclui Henning.
Café também é feito de encontros
Da pausa durante a jornada às conversas que acontecem fora dos ambientes tradicionais de trabalho, o café acompanha diferentes momentos da vida cotidiana. No Setembro Amarelo, a reflexão sobre saúde mental também convida a olhar para as relações e rotinas profissionais.
No Hub do Café, essas conexões ganham espaço em conteúdos sobre comportamento, consumo e as transformações que cercam a bebida. Explore outras histórias e conheça diferentes perspectivas sobre esse universo.
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