
Inteligência Artificial exige adaptação e reforça papel humano nos negócios
Especialista destacou que empresas precisam equilibrar tecnologia, tendências e essência para manter relevância em um mundo em transformação
Atualizado em 17/07/2026
Inteligência Artificial exige adaptação e reforça papel humano nos negócios
Especialista destacou que empresas precisam equilibrar tecnologia, tendências e essência para manter relevância em um mundo em transformação

Por Redação em 20/05/2026
Atualizado em 17/07/2026
A Inteligência Artificial e os impactos da transformação digital nos negócios estiveram no centro das discussões do Seminário Internacional do Café, realizado em Santos (SP). Durante o painel “Protagonismo nos Negócios – Como se manter relevante num mundo em transição”, o empresário e especialista em inovação, Walter Longo, defendeu que a IA não substituirá o ser humano, mas ampliará a capacidade das empresas e profissionais que souberem utilizá-la de forma estratégica.
Presidente executivo e presidente do conselho da ABTA e fundador da Abraforte, Longo afirmou que a atual transformação tecnológica representa uma ruptura sem precedentes na história recente.
“Antes, internet e redes sociais eram ondas no comportamento humano. A Inteligência Artificial não é uma onda, mas um tsunami”, afirmou.
Segundo ele, nenhuma tecnologia chegou de maneira tão simultânea em abrangência, impacto e velocidade. Para o especialista, o desafio das empresas agora é aprender a “surfar” nesse novo cenário, marcado por mudanças aceleradas, aumento da complexidade dos negócios e margens cada vez menores.
Entre pendências e tendências
Ao longo da palestra, Walter Longo destacou que gerir empresas atualmente exige equilíbrio entre resolver problemas imediatos e acompanhar as transformações do mercado.
“Gestão é ter a capacidade de dividir o tempo com sabedoria entre pendência e tendência”, explicou.
Na avaliação do especialista, muitas empresas ainda estão focadas apenas nas urgências do dia a dia, deixando de observar mudanças estruturais que já estão alterando o ambiente de negócios. “Não estamos mais em tempos de mudança, mas em mudança de tempo”, afirmou.
Para Longo, a inovação não depende apenas de tecnologia, mas principalmente de comportamento e adaptação. “Inovação é mais uma questão de ótica do que de fibra ótica”, resumiu.
Ele reforçou que investir em tecnologia é essencial, porém insuficiente sem uma transformação cultural dentro das organizações. Nesse processo, as empresas precisam atuar sobre três pilares: focar nas tendências, resolver as pendências e preservar sua essência.
Inteligência artificial no agro e os impactos no café
Durante o painel, Walter Longo destacou que o agronegócio já vive uma expansão acelerada das ferramentas de Inteligência Artificial, com aplicações que aumentam eficiência, reduzem custos e aprimoram a tomada de decisão.
Segundo ele, atualmente existem milhares de ferramentas disponíveis para apoiar a agroindústria em diferentes etapas produtivas.
No café, os exemplos incluem previsão de safra, classificação inteligente dos grãos, identificação do ponto ideal de maturação, colheita seletiva e maior consistência nos processos de torra.
O especialista também ressaltou três dimensões centrais da IA nos negócios:
• tomada de decisão baseada em dados;
• aumento de eficiência com redução de custos;
• experiência aprimorada para o cliente.
Para Longo, o avanço da IA está criando um movimento diferente das revoluções tecnológicas anteriores. Enquanto outras inovações foram inicialmente adotadas por grandes empresas e por profissionais mais jovens, a Inteligência Artificial tem sido incorporada rapidamente também por pequenas empresas e profissionais mais experientes.
“Estamos assistindo à uma migração sem precedentes, mas cognitiva e não geográfica”, destacou.
Capital humano expandido
Apesar da aceleração tecnológica, Walter Longo reforçou que o diferencial competitivo continuará sendo humano. Para ele, a relação entre pessoas e Inteligência Artificial será baseada em adição, e não substituição.
“A IA não tirará emprego de ninguém, mas alguém usando IA tirará”, afirmou.
Segundo o palestrante, o maior risco atualmente é a inércia diante das mudanças. Ele alertou ainda para a crescente perda de atenção causada pelas distrações digitais, citando estudos que apontam impactos bilionários na produtividade das empresas.
Ao mesmo tempo, destacou que as próprias ferramentas digitais podem ajudar a recuperar foco, produtividade e eficiência operacional.
Entre as aplicações corporativas da IA mencionadas por Longo estão:
• automação de processos operacionais;
• atendimento inteligente ao cliente;
• análise preditiva e tomada de decisão;
• recrutamento e gestão de pessoas;
• marketing preditivo e personalizado.
Relações individualizadas
Para o especialista, o futuro dos negócios passa por relações cada vez mais individualizadas e humanas. “O futuro do marketing é entender as individualidades de cada pessoa, e não atuar mais em massa”, disse.
Ele também chamou atenção para a valorização da experiência humana dentro das empresas e para a importância das conexões em rede. “Em terra de robô, quem tem coração é rei”, afirmou.
Ao encerrar a palestra, Walter Longo defendeu que a tecnologia deve servir para ampliar capacidades humanas, e não substituí-las. “O futuro da inteligência não será artificial, mas expandida e integrada. No centro dessa rede está o coração, não o código.”
Competitividade no mercado global
A discussão confirma um movimento cada vez mais presente no agronegócio e na cafeicultura: a necessidade de unir tecnologia, eficiência operacional e inteligência humana para manter competitividade em um mercado global em constante transformação.
Temas como inovação, gestão e transformação digital seguem no centro das discussões acompanhadas pelo Hub do Café, especialmente diante dos desafios e oportunidades que a IA traz para toda a cadeia produtiva do café.
A cobertura do Seminário Internacional do Café continua no Hub do Café, com os principais temas, tendências e debates do evento
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