Exportação de café do Brasil bate recorde de 3,96 mi de sacas em janeiro

Exportação de café do Brasil bate recorde de 3,96 mi de sacas em janeiro

Desempenho histórico para o primeiro mês do ano foi puxado pela disparada de 503,5% nos embarques de conilon e robusta; remessas de arábica subiram 31,1%

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O Brasil exportou 3,961 milhões de sacas de 60 kg de café em janeiro de 2024. Ou seja, volume que representa recorde histórico para o primeiro mês de cada ano. E, ainda, implica crescimento de 39% ante mesmo período do ano passado. Desde já, a receita cambial avançou 30,4% nesse intervalo comparativo, saltando de US$ 615,5 milhões para os atuais US$ 802,5 milhões. Acima de tudo, os dados fazem parte do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Em janeiro deste ano, de antemão, as remessas ao exterior da espécie canéfora (variedades conilon e robusta), a segunda mais exportada, apresentaram substancial evolução de 503,5%. Nesse sentido, puxando o bom desempenho geral ao atingirem 457.787 sacas, o que representa 11,56% do total.

Inclusive, a liderança segue com o café arábica, com 3,208 milhões de sacas e representatividade de 80,98%. Completam a lista os produtos do segmento solúvel, com 293.467 sacas (7,41%). E do setor de torrado e torrado e moído, com 1.898 sacas (0,05%).

Performance

De acordo com o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a performance das exportações brasileiras de café em janeiro foi boa. Principalmente diante do cenário global de conflitos geopolíticos, que têm impactado o tráfego de navios no Mar Vermelho. Além da forte seca na região do Canal do Panamá, diminuindo o fluxo de embarcações. E, por fim, da continuidade dos gargalos logísticos no Brasil.

“Até o momento, não tivemos impacto concreto nos embarques de café do Brasil. Entretanto, temos ciência que, se permanecerem os ataques na ligação entre o norte da África e o Oriente Médio, assim como a falta de chuvas na América Central, certamente a elevação nos custos dos fretes ou a escassez de embarcações poderá complicar ainda mais o cenário no Brasil. Onde os exportadores já têm se deparado com alta nos custos devido a constantes atrasos e alterações nas escalas dos navios e curtos períodos de aberturas de gates“, analisa.

Atrasos de navios

De acordo com o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup de tecnologia no segmento logístico ElloX Digital, em parceria com o Cecafé, o índice de alteração de escalas e atrasos de navios com café no Porto de Santos alcançou 85% em janeiro de 2024. Dessa forma, é o maior percentual registrado até então.

Agravando o já crítico cenário, que havia aferido seus maiores percentuais nos três últimos meses de 2023: 76% em outubro e dezembro e 81% em novembro.

“Esse problema se alastra desde o ano passado, quando ciclones e tempestades tropicais ocorreram na Região Sul do Brasil e direcionaram as embarcações dos portos sulistas para outros destinos, como Santos. O que gerou acúmulo de cargas nos demais complexos portuários brasileiros. Diante disso, os exportadores de café têm enfrentado adiamentos regulares de embarques e curto tempo de abertura de gates devido aos pátios estarem lotados de contêineres. Assim, o que dificulta o recebimento de outras cargas em função das limitações físicas de espaço no terminal santista”, revela.

Desempenho

Por outro lado, a despeito de gargalos logísticos e problemas de infraestrutura, Ferreira salienta o crescimento das exportações cafeeiras do país. Puxados, especialmente, pelo desempenho dos canéforas.

“O robusta e o conilon brasileiros seguem muito competitivos no mercado mundial. E vêm suprindo o déficit ocasionado por quebras de safras em importantes produtores. Como Vietnã e Indonésia, primeiro e terceiro maiores produtores mundiais da variedade, respectivamente. Não à toa, os vietnamitas aumentaram em 700% e os indonésios em 19.130% suas importações de café brasileiro”, explica.

Principais destinos

A princípio, o desempenho positivo dos embarques brasileiros também se deve ao fato de os principais parceiros comerciais do produto terem elevado suas compras no mês passado.

“Nesta época do ano, vivemos o inverno no Hemisfério Norte e o consumo de café aumenta. Esse aspecto, alinhado a uma redução no nível de estoques cafeeiros na parte de cima do globo, faz com que, naturalmente, grandes consumidores importem mais café das origens produtoras”, comenta o presidente do Cecafé.

No mês passado, por exemplo, a Alemanha assumiu a liderança do ranking dos principais destinos dos cafés do Brasil. Importando 695.607 sacas, o que implica crescimento de 57,4% frente a janeiro de 2023 e equivale a 17,6% das exportações totais.

Já os Estados Unidos, com representatividade de 17,2%, adquiriram 682.952 sacas (+31,3%) e ocuparam o segundo lugar na tabela. Na sequência, vêm Bélgica, com a compra de 400.065 sacas (+123,5%); Japão, com 217.584 sacas (+50,1%). E, por fim, Itália, com 197.846 sacas (+1,7%).

Em continuação, a China se consolida como um dos principais parceiros dos cafés do Brasil e mantém o sexto lugar no ranking. Posto que assumiu ao final do ano passado. Em janeiro deste ano, acima de tudo, o gigante asiático importou 168.761 sacas. Ampliando em 153,9% o volume que adquiriu no primeiro mês de 2023.

Top 10

Fechando o top 10, vêm Holanda (Países Baixos), com 148.754 sacas (+77,7%); México, com 148.559 sacas (+1.222,2%). Ainda Suécia, com 92.241 sacas (+83%); e Canadá, com 76.641 sacas (+90,1%).

Com o incremento das importações de café do Brasil pelas nações do Hemisfério Norte, evidencia-se, assim, o crescimento das remessas do produto para os continentes da parte de cima do planeta. A Europa, que absorveu 52,1% das exportações nacionais em janeiro, adquiriu 2,062 milhões de sacas (+38,1%). A América do Norte, por outro lado, importou 908.152 sacas (+58,8%), equivalendo a 22,9% do total. E a Ásia, com share de 18,8%, elevou em 51,3% suas compras, que somaram 744.055 sacas.

Cafés diferenciados

Antecipadamente, os cafés que possuem qualidade superior ou certificados de práticas sustentáveis responderam por 19,8% das exportações totais brasileiras do produto em janeiro de 2024. Isso com a remessa de 783.611 sacas ao exterior. Esse volume, portanto, representa aumento de 39% frente ao registrado no primeiro mês de 2023.

O preço médio do produto foi de US$ 226,10 por saca, gerando uma receita cambial de US$ 177,2 milhões. Sobretudo, o que corresponde a 22,1% do obtido com os embarques totais de café em janeiro. No comparativo anual, o valor é 20,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

No ranking dos principais destinos dos cafés diferenciados em janeiro de 2024, os EUA ocuparam o primeiro lugar. Primordialmente, com a aquisição de 212.784 sacas, o equivalente a 27,2% do total desse tipo de produto exportado.

Fechando o top 5, aparecem Alemanha, com 172.632 sacas e representatividade de 22%. Depois Bélgica, com 83.947 sacas (10,7%); Holanda (Países Baixos), com 51.031 sacas (6,5%). E, por último, Suécia, com 44.646 sacas (5,7%).

Portos

Definitivamente, o Porto de Santos (SP), mesmo com os gargalos citados, foi o principal exportador dos cafés do Brasil em janeiro. Isso com o embarque de 3,026 milhões de sacas, o que representa 76,4% do total.

Na sequência, aparece o complexo marítimo do Rio de Janeiro, que responde por 20,7% das exportações ao ter remetido 820.953 sacas ao exterior. Depois, o Porto de Paranaguá (PR), com a exportação de 59.391 sacas e representatividade de 1,5%.

Em suma, o relatório completo das exportações dos cafés do Brasil, em janeiro de 2024, está disponível no site do Cecafé.


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